Dizem por aí que os contos de fada prejudicaram a mentalidade das meninas, que esperam dos homens, um príncipe. Muitas, hoje já mulheres, se frustram por ver que na realidade não é bem assim o mocinho... No meu caso, deve ter sido diferente. Acho que não me encantava tanto com o príncipe, mas me fascinava com o mundo encantado em que as histórias se passavam... Se algo me frustra, é chamarem minha atenção mais pro mundo destruído que para o fantástico em que a gente vive... Sim... O mundo que a gente vive é SURREAL, e além de mostrar isso pra quem eu puder, gostaria de tornar mais visível a quem desconhece.
E, foi pensando nisso, que eu descobri que não dou conta. Como sabem, voltei a andar, e a sensação é que agora eu to retomando a trilha, mas o equipamento não está certo pra mim... Algo na bota me incomoda, uma pedra, uma meia mal calçada... Sabe quando a gente olha aquela subida quando já se esperava estar terminando a trilha? Falta fôlego, físico, disposição. Não, não era para eu já ter cansado assim, afinal - como muitos têm me dito - "você não fez nada, só descansou 5 meses!". Que seja a falta de forma, estar fora do ritmo ou a fraqueza instaurada, seja o que for: não dou conta.
E ao saber disso eu paro, sem descarregar o peso, olho pra vista sem conseguir admirá-la. Tudo me chama a parar. Será que não estamos perdendo o que importa nas frestas, nas vírgulas e nos intervalos? Eu peço desculpas, e que me chamem de fraca, mas não vale subir ao monte se o que se quer é a conquista. Cliché, mas se o que vale é mesmo o caminho, que eu me perca nos trilhos, encare a noite na floresta, mas valorize a espera do que seguir o fluxo de turistas doidos que atravessam, tiram as fotos e se apressam...
Agora, meu coração quer aquela paz do conto de fadas, de saber que tudo termina bem, que o vilão vai preso, quero a alegria, as danças, o clima, a calmaria, o céu estrelado, o cavalo alado... Em mim residem vivos: o mar, o céu e as montanhas. Eu fui lá, eu vi. O mundo encantado existe. E nele não há pressa, nem promessa... Há histórias, aventuras, e as mais belas surpresas de enredo.
Eu não dou conta de viver descrente. E sendo assim, continuo a trilha certa de que a satisfação está nos dias que já vivi e estou vivendo, não no que eu consegui ou não ser. E sendo assim, prefiro crer no sapo, do que em um humano fazendo dar tudo certo. Afinal, bem sabe ele viver bem na água e na terra. Quanto a mim, caberá mesmo aprender com o sapo a viver no mundo um mundo que para alguns é invisível.
