segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Coisas pelo chão

Tá, organização nunca foi meu forte. Não essa "padrão", sabe, "tudo no seu aparente devido lugar" rs... Desde que me lembro, nunca me incomodei com coisas pelos chão. Até mesmo acho que algumas, eu mesma coloco assim espalhadas... Meias, chaves, livros, copo, mochila, papéis, chinelo...   Alguns tem mania de suspender e elevar as coisas. "Isso não pertence ao chão". Outros acham que não é natural, ignorando que na natureza o cair ao chão gera vida. Bem, esses incômodos ou essas manias nunca foram minha realidade. E, além de não me incomodar, e eu até mesmo me utilizar do chão como armário informal, diria que eu não me importo tanto com ele assim. Pelo menos não até a última sexta-feira. Ao olhar coisas pelo chão, fui surpreendida!

Calma lá! hahaha...Não era nada novo. Nada que já não estivesse lá há um tempo. Talvez todos os anos esteve ali. Mas até então, eram apenas "coisas pelo chão". Sabe aquele momento em que, por alguma razão, paramos e começamos a olhar no chão sujeiras, detalhes, piso, rejunte, formigas, folhas, flores... Então... Mas, ainda assim, esse parar e reparar algo que nunca havia visto não significa que elas ganham valor ou sentido pra gente. Pensa bem, pensa bem mesmo... Já percebeu que às vezes olhamos coisas à nossa volta como "coisas pelo chão"? Vemos, mas pouco nos importamos...

Certa vez, comentei com um amigo "nossa, olha como tem o carro X aqui". Ele me disse que eu tava enganada, que, na verdade eu havia tomado conhecimento daquele carro - o qual meu pai havia acabado de comprar - e, assim, ganhou sentido e notoriedade para mim. Não é que havia mais dele, mas eu reparava nele mais que em outros agora, pela proximidade e pelo significado relevante (podia ser meu pai passando! rs). E foi isso o que acho que aconteceu com a surpresa que vi ao chão...

Estão curiosos? rs... Eram "coisas de árvore". É. Isso aí. Nem semente eu, antes, reparava que eram. Mas, como muitas coisas na vida, a relevância não está no "o que" mas no "por que", então... por que elas só fazem sentido agora pra mim? Por que a surpresa? Porque há pouco tempo que ganharam importância. Sementes de Ipê. Sempre vi e admirei essa árvores de flores amarelas em frente de casa. Minha mãe já cansou de me falar desse ipê... Suas sementes, neste mês de outubro, e em todos os anos morando na mesma casa, sempre caíram ali, pelo chão. Quantas vezes passei por elas sem as reparar!

MAS agora que a ideia de plantar essa árvore se tornou significativa para mim, há poucas semanas, ao ver meu quintal forrado por suas sementes - as que eu procurava - WOW!!! Sensação de ser presenteada, meu coração acelerou até! rs Que demais! Fiquei extasiada! Foi assim que as sementinhas dos ipês me ensinaram uma coisa: o olhar vai além do enxergar, ver, perceber, observar... Algumas coisas na vida, vão pelo chão, estão sempre ali, na nossa passagem, e até mesmo em pontos de parada cotidianos. Porém, algumas delas, em um momento único, específico e apropriado, ganham todo um novo sentido. Ao olhá-las, nesse novo momento instaurado, ficamos extasiados, como um presente não esperado...

Essa sensação é boa demais. E não há planejamento, nem estratégia, nem organização que preveja isso. Elas acontecem. Apenas deixemos nossos corações abertos....

Nesse ano, não foram só as sementinhas de Ipê que ganharam novo significado. Muito do que eu via e com que estava acostumada a me deparar pelo caminho, tornaram-se presentes e tomaram meu coração de maneira indescritível. Essas sementinhas eu guardo bem dentro do peito, mesmo que como "coisas pelo chão", elas nunca mais perderão tamanho significado que agora têm para mim. E deixo-as livres como são, naturais como as encontrei, bem onde estão. Não sou presa a manias, nem me incomoda tê-las pelo caminho. Algumas, eu mesma ali deixei. E, como disse, nunca precisei de organização.

Aos bons entendedores ;)