É dada a largada e me sinto como o Bolt. Tá, você pensou "que convencida". Calma. Você já viu a largada dele? Ele sai atrás de todos demais corredores. Depois, ele ultrapassa. Mas minha comparação vai até a largada. Sabe por quê?
Eu imagino que esse cara, algum dia, mesmo largando devagar, ele continuou largando. (Estranho esse verbo - até porque o que eu quero dizer é sobre "persistir", "dar início", não desistir... Mas é isso, cê entendeu? rs...).
E, sim, eu dei a largada. Até esqueci de registrar. Mas voltei a correr em Agosto, um ano e 8 meses depois do acidente. Mas não pense que é corrida. Corri 3 minutos hahahahaha... Hoje, a 15 dias de completar 2 anos do pulo na pedra e espatifamento do calcâneo, corro de 10 a 15 minutos (acho que já posso correr mais, mas falta pulmão rs). Isso, aliado à natação, pilates, faxinas, caminhadas pro mercado, pegar eventualmente meus sobrinhos no colo. Simples? NÃO! Há um ano isso tudo parecia impossível.
Muitas coisas nos parecem impossível, tantas, que, para elas, nem "damos a largada" (largamos mesmo!!!). Talvez nos falta dar mais largadas, mesmo que não consigamos o que idealizamos como "objetivo final", ou até mesmo o que outros apontam ser o alvo ideal de determinada 'pista de corrida' ou competição. Tentar não machuca (vamo lá: não me refiro a tentar voar de um precipício, ok?! rs). Sempre me senti diferente, porque em algum momento, desde bem cedo notei que as pessoas não se dão o trabalho de sonhar. Afinal, "pra quê?" Uai, pra viver, se divertir, tentar, lutar, se frustrar e levantar outras possibilidades, abrir portas, encantar-se!
Eu dei minha largada na corrida, e não sei até onde vou. Mas já sou feliz por ter dado a partida. É bom, provar do que se tenta, ainda que por poucos minutos. É presente, é graça. Minha sugestão é que todo dia seja um ponto de partida - que não gere ansiedade, mas que seja um pequeno sonho, uma pequena tentativa: uma nova amizade, um projeto, um livro,
um sorriso, uma dieta, uma receita, um esporte, um poema, uma carta, um curso, uma foto, um momento de meditação...
Sabe qual o problema? É que, às vezes, nos frustramos porque colocamos todo o nosso coração no que fazemos, nessas tentativas. Frustramos e daí não tentamos mais. Oras, o problema não é o tentar, é o que tentamos se tornar algo mais importante do que deveria em nosso coração! Então, só esse cuidado se deve tomar, pra não tornar algo maior e, depois, pesado, do que realmente deve ser.
Eu voltei aqui, a um dos meus pontos de partida: escrever! Tão bom! E sim, parei
no meio do caminho, e ainda posso parar mais vezes, mas posso também
dele partir de novo... E pronto: sem frustração. Tá tudo bem. E aí,
partiu?!
