quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Ponto de Partida

É dada a largada e me sinto como o Bolt. Tá, você pensou "que convencida". Calma. Você já viu a largada dele? Ele sai atrás de todos demais corredores. Depois, ele ultrapassa. Mas minha comparação vai até a largada. Sabe por quê?

Eu imagino que esse cara, algum dia, mesmo largando devagar, ele continuou largando. (Estranho esse verbo - até porque o que eu quero dizer é sobre "persistir", "dar início", não desistir... Mas é isso, cê entendeu? rs...).

E, sim, eu dei a largada. Até esqueci de registrar. Mas voltei a correr em Agosto, um ano e 8 meses depois do acidente. Mas não pense que é corrida. Corri 3 minutos hahahahaha... Hoje, a 15 dias de completar 2 anos do pulo na pedra e espatifamento do calcâneo, corro de 10 a 15 minutos (acho que já posso correr mais, mas falta pulmão rs). Isso, aliado à natação, pilates, faxinas, caminhadas pro mercado, pegar eventualmente meus sobrinhos no colo. Simples? NÃO! Há um ano isso tudo parecia impossível.

Muitas coisas nos parecem impossível, tantas, que, para elas, nem "damos a largada" (largamos mesmo!!!). Talvez nos falta dar mais largadas, mesmo que não consigamos o que idealizamos como "objetivo final", ou até mesmo o que outros apontam ser o alvo ideal de determinada 'pista de corrida' ou competição. Tentar não machuca (vamo lá: não me refiro a tentar voar de um precipício, ok?! rs). Sempre me senti diferente, porque em algum momento, desde bem cedo notei que as pessoas não se dão o trabalho de sonhar. Afinal, "pra quê?" Uai, pra viver, se divertir, tentar, lutar, se frustrar e levantar outras possibilidades, abrir portas, encantar-se!

Eu dei minha largada na corrida, e não sei até onde vou. Mas já sou feliz por ter dado a partida. É bom, provar do que se tenta, ainda que por poucos minutos. É presente, é graça. Minha sugestão é que todo dia seja um ponto de partida - que não gere ansiedade, mas que seja um pequeno sonho, uma pequena tentativa: uma nova amizade, um projeto, um livro,
um sorriso, uma dieta, uma receita, um esporte, um poema, uma carta, um curso, uma foto, um momento de meditação...

Sabe qual o problema? É que, às vezes, nos frustramos porque colocamos todo o nosso coração no que fazemos, nessas tentativas. Frustramos e daí não tentamos mais. Oras, o problema não é o tentar, é o que tentamos se tornar algo mais importante do que deveria em nosso coração! Então, só esse cuidado se deve tomar, pra não tornar algo maior e, depois, pesado, do que realmente deve ser. 

Eu voltei aqui, a um dos meus pontos de partida: escrever! Tão bom! E sim, parei no meio do caminho, e ainda posso parar mais vezes, mas posso também dele partir de novo... E pronto: sem frustração. Tá tudo bem. E aí, partiu?!


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Sendo eu meu próprio herói

Vai, vamo lá. Mais uma história. Dessa vez, a meditação se passou em três momentos diferentes. E daí juntou, misturou, fez aquela farofada e tá saindo aqui, assim... meio... né?! E oh, já digo: a ordem não é cronológica, mas por relevância. Cêis vão entender... sigam comigo!

PRIMEIRO ATO: "Eu posso fazer!"
Vem cá, me diz: no esconde-esconde, você era daqueles que se salvava ou ficava bonitinho escondidinho se esquivando pra tentar salvar o mundo? Pois é... hoje eu estava no parque e quase fui atropelada por um guri porque - incrivelmente - crianças ainda brincam de esconde-esconde! Quase saindo, perto de uma entrada lateral estava um remanescente que, certamente, queria salvar o mundo. O legal é que, não sei se já notaram, mas o momento de salvar o mundo é quando tá rolando aquela desilusão geral da galera, que meio que não sabem onde o último está, estão tentando lembrar quem falta, mas já desistiram de esperar e só querem brincar de novo... Daí me peguei pensando que essa brincadeira envolve muito a autoestima! Pensa bem... Eu mesma acabava no meio da rodada indo me salvar, porque algo me dizia que "eu não vou conseguir salvar o mundo" - e acho que, às vezes, pensava isso por ser menina (quando que uma menina é mais rápida e salva o mundo? Se bem que já salvei sim... kkk). Horrível isso! Outra coisa: quando alguém salvava o mundo era tipo "Uauuuuu, cara, esse(a) aí é demais! Salvou a comunidade dos amigos" Tipo "ele/ela me salvou", principalmente se você tinha sido pego por último. E quem salvava era sempre "Aew, ferrei o cara que tava contando, ele vai ter que contar de novo".


SEGUNDO ATO: "Eu sei fazer!"
Estava eu, numa bela manhã de sábado que se inicia com a rotina de levantar 7 da matina para nadar, já na piscina e comecei a me alongar. Uma professora, que estava substituindo a de sempre, começou a orientar o alongamento. Sendo uma das poucas atividades que posso fazer no momento, nadar tem sido um escape e, como sempre nadei, nesses meses, eu mesma tenho feito meu treino. Meu primeiro pensamento foi: "Eu sei fazer.". Dai ela passou um exercício muito diferente! E incrivelmente bom! Então pensei comigo mesma "Vai aí, sabichona, esse aí você não sabia. Sempre metida a achar que sabe fazer tudo." kkk... Após minha auto bronca, em que meu mau-humor matinal tomou forma, virou gente e me deu uma alfinetada, admiti... vivo como se soubesse tudo e a verdade desmascara: sei de nada!

TERCEIRO ATO: "Eu consigo fazer!"
Por algumas semanas, daquelas que o Sol não tá muito em sincronia, nem os planetas alinhados, várias coisas entraram em colapso em casa: meu chuveiro, a tranca da porta... e uma delas foi a pia! A minha pia da cozinha caiu, descolou a cuba! Após um episódio de ofensa do cara que ia consertar, decidi: quer saber, eu consigo fazer! Não deu outra, arrumei tudo, assisti um tutorial, comprei tudo que precisava, desabafei a ofensa, compartilhei orgulho e fiz... Ta aí, provei, posso fazer!!! Na semana seguinte quis provar mais: montei um móvel sozinha, sozinha! Não preciso de ninguém!!! (Fala aí, diz que nunca se achou assim?! E pensou: sou meu próprio herói!!!) Meu próprio herói...

Santa humildade ein! Me diz então, cadê esse herói quando o mundo cai, quando o desespero bate, quando o chão some, quando não pode fazer nada?! Quando se depende de outros, quando não se tem resposta?  E quando, mesmo com todas as forças, recursos, positividade e ideologias unidos ainda não consegue?! Que herói que nada... Onde estava esse herói? Só se foi no ar, imaginando que a capa de toda essa segurança fosse virar asas, porque o chão foi bem duro...  E essa é a realidade, toda vez que banco o herói, dá nisso, ou melhor, não dá! Talvez eu às vezes não reparo, quando são situações menores, porque nem sempre me resulta em um osso quebrado com um longo tempo de repouso para reflexão, mas... me despedaça, porque, de alguma maneira, eu queria ser essa imagem que tenho de mim mesma... Por que fazemos isso? A sensação é de que nos afastamos daquilo que deveríamos ser e do lugar onde verdadeiramente deveríamos estar... Não somos heróis.

A verdade é que todos queremos salvar o mundo, todos os dias, mas preferimos salvar a nossa própria vida mesmo... Não percebemos que, quando tornamos a tarefa apenas individual, além de pesar, a pressão psicológica é talvez mais tensa do que lidar com "onde se esconder para ficar salvo e fazer tudo no tempo certo". Além disso, achamos que podemos, quando nem ao menos sabemos o que acontecerá daqui 30 segundos! E não só isso, achamos que conseguimos e construímos uma autoconfiança vergonhosa! Que forma de vida arrogante vivemos e nem vemos!

Ainda que eu possa, saiba e consiga, se eu fizer, não o fiz sozinha. Verdade, Salvação e Poder, nada disso é humano... E essa é minha conclusão.