O ponto de parada ficou meio parado nesses últimos tempos, confesso... Mas é que EU que comecei a me movimentar. Sabe aquele descanso em que se está extremamente cansado, após uma pesada e intensa subida, com pernas bambas e músculos antecipando as dores que vêm em seguida? É aquele momento em que você olha para trás, vê o que já caminhou e, só então, percebe o suor pelo corpo e o peso potencializado às costas. Pois é... e depois, olhamos ao que se evidencia à nossa frente: a retomada! No meu caso, foi ela que tomou minha atenção e dedicação nos últimos dois meses: reaprender a andar, dar um passo por vez, administrar mente e físico, olhar melhor o caminho...
Eu andei por muitos caminhos antes de parar aqui. Como sabem, eles fazem parte do que sou hoje e do que consigo compreender sobre minha forma de ser. Porém, pode ser que só agora, depois dessa vivência estática, que eu realmente tenha encontrado o que valha a pena se trilhar... Ao olhar meu pé - marcado, fraco e bem dolorido pela tendinite que veio pra dar aquela emoçãozinha a mais na nova etapa da minha recuperação - me recordo do que já fiz, e que bom que fiz antes do acidente acontecer! rs
Quem é besta de olhar pro pé e se achar forte? Normalmente, olhamos nossos braços, nossa inteligência, nossas habilidades, nossos feitos e nossas realizações. Pois é, eu olhava pra tudo isso. Mas hoje olho para minha cicatriz. Ali dentro tem uma placa de aço e sete pinos. E, ironicamente, isso é sinal que ele é fraco, mesmo com todo esse aço. E, às vezes eu penso que toda essa reparação não era pro meu pé apenas. Certamente, eu aguentava correr mais, carregar mais peso, me equilibrar mais, e mancar menos rs... Entretanto, não me era claro o porque eu corria tanto, ou a natureza dos pesos desnecessários que carregava, e o desequilíbrio que não se manifestava. Contraditório, mas acho que eu mancava mais.
Mas agora tô caminhando. Talvez todo esse aço pare de me incomodar um dia. Pode ser que um dia eu nem me lembre de olhar o que realmente me sustenta. E olhe pros meus braços, inteligência, habilidades, feitos e realizações. De novo. A gente se esquece fácil da coisas, não é verdade? Conto com essa possibilidade - mesmo com uma evidente cicatriz -, porque não seria a primeira vez. Porém, quando estiver lá no Caminho, do qual sou mais consciente agora, após uma longa, pesada e intensa subida, com músculos doloridos, suor escorrendo e pernas bambas, lembrarei do meu pé de aço. Não para culpá-lo, justificar o sedentarismo ou a dificuldade da caminhada, mas para parar, ganhar novo Fôlego e simplesmente descansar, pois o que carrego é leve e, hoje, a minha Força é outra - se manifesta quando sou fraca!
Pode me perguntar como eu ando. Te falarei a verdade. Estou caminhando... Ando devagar ("porque já tive pressa"- seria muito cliché falar isso né? rs... ou "eu não vim até aqui pra desistir agora"), devagar enxergo melhor o caminho. Tenho por companhia certas dores, elas me fazem lembrar que estou viva. Esse para mim é o sentido de tudo, é a Verdade, o Caminho e minha Vida a partir desse ponto de parada.
Que minha marca agora não seja minhas mancadas ou minha cicatriz, mas eu apontando essa boa, agradável e verdadeira Direção para quem encontrar na caminhada...

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