Foi num sábado que eu caí e bati meus dentes de leite aos 8 anos. Foi num sábado que quebrei meu braço pela primeira vez aos 6 anos. Foi num sábado que abri minha sobrancelha em alguma manobra esquisita pra secar meu cabelo e me encontrando a testa na pia. Nesses sábados, meu pai me socorreu.
Foi num sábado que fui na feira comer pastel pela primeira vez. Foi num sábado que ganhei cortinas rosa no meu quarto, mudei a mobília de lugar e fiz qualquer arte de papel e retalhos pra dar pra família. E em todos esses momentos, meu pai estava lá.
Mas de todas essas memórias, a mais forte é a de eu no quintal, ajudando a lavar os pneus - porque meu pai, conhecendo a filha, não deixaria esfregar arranhando a lataria... Hoje sei que além de gostar de qualquer atividade que envolvesse água, eu amava a companhia do meu pai. Era nosso momento. Sinto que, de alguma maneira, foram nesses sábados que comecei a conhecê-lo. Conhecer seu jeito de falar, de fazer tudo com excelência, de fazer com todo o coração, mesmo que fosse só a tarefa de limpar uma sujeira. Nesses momentos que eu levei aquelas primeiras broncas agitadas, que eu aprendi a zoar e brincar que nem moleque, jogando água, sabão no olho... Provavelmente, foi nesse quintal que levei meus primeiros tombos e escorregadas. Mas sempre estava tudo bem. Ele estava lá.
Quantas memórias a gente só lembra quando pára... Nessa semana é provável que eu seja liberada para começar a pisar, e minha ansiedade está a mil. Talvez da mesma forma como ansiava por aqueles sábados chegarem. Esses últimos três meses foi como sentir que estava sentada, aos pés das rodas do carro, meio sem saber direito o que estava fazendo, mas com fato a fato aos poucos trazendo sentido e construindo história. O sentimento é que foi 'sábado' aqui. E meu pai estava, como sempre, ele e minha mãe estavam. Mas algo me diz que não só eles: também a felicidade repleta de um belo sábado com ótimas experiências. Um sábado do qual vou certamente sempre lembrar, o qual nunca vou querer findar.
Esse texto só seria mais legal se o aniversário do meu pai fosse sábado, mas é sexta. Porém, talvez isso seja ainda melhor: saber que há sempre mais um sábado por vir sempre me deixa feliz. Sexta, então, me parece um dia perfeito para comemorar todos os sábados que tive, e com a graça de Deus ainda desejo ter com meu pai.
Se me cabe algum desejo ainda, desejo que as minhas palavras aqui façam outros refletirem e viverem os sábados que estão simples e sutis no dia a dia: no sol que brilha, na companhia, na conversa amiga, na refeição sadia ou na recordação de alguma boa memória esquecida.
Bom sábado e um certamente feliz dia!

Me fez sorrir :)
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