Que título esquisito, pequeno demais, né? Mas é sobre o que eu preciso falar. E por mais que, agora, no ponto de parada, já se ouça a Alê cantarolando baixinho vez ou outra - e eu me pego de surpresa e sorrio - não me refiro à nota musical, mas ao sentimento de pena mesmo... (não vou fazer ressalva pra explicar "pena" também, acho que já deu pra entender rs). Ultimamente, tenho recebido visitas, recados de amigos distantes, mensagens mostrando preocupação e cuidado comigo. Muitos deles dizem coisas como: "Vai dar tudo certo", "Estou orando por você", "O importante é levar tudo isso da melhor maneira possível", "Fico feliz de te ver animada", "Você vai tirar isso de letra!", "Vai passar!", "Logo logo, tudo volta ao normal" etc. E constantemente minha mãe repara também e me diz: "Olha só, quantas pessoas te querem bem!".
Eu entendo a ótima intenção de todos, e eu mesma sei que ninguém deseja quebrar tão exoticamente o pé como eu e, portanto, encontrar-se na minha situação. Acontece que a própria fala da minha mãe bem como as outras me faz parecer, de alguma maneira, destoante do que eu estou experimentando na realidade. Você pode estranhar, mas meu sentimento tá mais próximo de leveza do que de dificuldade. E cheguei a um ponto em que só consigo ver esse episódio do pé como algo verdadeiramente bom.
Então, quando alguém chega e diz que vai passar, fico pensando que a pessoa não tem noção do quão bom tudo isso tá sendo para mim... Esse tempo, essa parada, a aproximação com meus pais, reaprender a não fazer nada, a viver simples, a diminuição do ritmo, da carga, da cobrança... Parece que é tempo de ser adolescente com uma cabeça de adulto e, quer saber, é bom demais viver e aprender. Bom demais acordar, olhar meu pé e sorrir, sonhar...
Agora que as fases da inconformação e da ansiedade passaram, vivo um novo momento que só experimenta quem pára um pouco para observar: a percepção do que é verdadeiro. Tem sido tão positivo que até me esqueci de escrever, e eu sempre escrevo quando algo me incomoda. Hoje tive que me convencer a dedicar um tempo aqui para explicar - o que, também, de certa forma me incomoda: as pessoas não conseguirem ver que, na verdade, elas estão passando por dificuldades bem maiores que a minha e não estão parando... Então, pela primeira vez, tenho dois pedidos com esse post. Primeiro, peço que tente desconstruir a ideia de que limitação é algo negativo, e perceba que, na verdade, por natureza, somos todos limitados. Segundo, diminua o seu ritmo, pra que você corre? Tem muitas frases bonitas que publicamos no Facebook, no status, nas mídias, mas a vida realmente escorre enquanto você corre pra fazer o que é urgente, mas não necessariamente importante. E quem fala é a menina que nunca pára, ou pelo menos, não parava; a menina que não sabia simplesmente "não fazer nada" por sequer um minuto.
Outra abordagem que eu queria fazer, é que, pensando aqui, seria bem legal se a gente pudesse também ver o coração da pessoa, o caráter, a índole da mesma forma como enxergamos as limitações físicas. Porque o olhar das pessoas é muito de "dó", de "pena", e eu senti um pouco disso esses dias, estando assim. E isso é absurdo!!! Porque ninguém escolhe ficar assim... Por isso, o que seria incrível mesmo talvez fosse olhar para a desonestidade de alguém e ele se constranger... Obvio que é um pensamento totalmente de justiça absurdo, nunca que daria certo e Deus fez como é melhor mesmo para nós. E isso não acabaria com os olhares de dó para mim... rs
Enfim, saiba que eu estou bem, e entendo as preocupações e desejos para que eu saia dessa. Só queria que você soubesse que "essa" em que eu estou, não é "uma bad" ou "pior", ou qualquer dificuldade ou coisa ruim. Eu não creio nisso, e o sentimento é de paz e felicidade em quase todo tempo. (e, não, não é denegação da situação: é um baita de um aprendizado privilegiado). Afinal, você já pensou que não utilizamos todos nossos membros, músculos e ossos o tempo todo? Há tempo para tudo - e para cada parte. Eu continuo a remar, entendi que nunca precisei do pé para isso...
Da menina que está aprendendo a se movimentar, um passo por vez, feliz por notar o essencial: tem tudo o que precisa - e mais!

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