Talvez seja interessante explicar como eu cheguei aqui, ao ponto de parada. Mas... hm... afinal, como eu parei aqui?
Alguns acham que foi apenas mais uma de minhas peripécias e aventuras, me rendendo um pé quebrado, esperando logo eu de volta, com toda energia! Pode-se ver assim. E pode ser que seja assim... Tomara! Certamente pretendo voltar melhor, aprendendo com o que aconteceu. E pode ser que contar o que foi o acidente esclareça, mas não responde à pergunta... A quebra do osso foi o que me trouxe aqui e, não o "como". Por isso, é preciso entender como eu REALMENTE parei aqui e a história começa um pouco antes...
Quando alguém pára, normalmente é porque está vindo de algum lugar... E eu estava vindo da correria da qual você talvez também faça parte. Vivi experiências inéditas nos últimos anos, o que poderia até nomear de uma vida realmente autêntica, com desprendimento e liberdade... Mas, de alguma maneira, agora, parada, mal sei por onde começar a guardar todos os sonhos realizados que trago na bagagem... Parece longe a última vez que eu fiz uma parada (e me refiro a parar rs).
Ok... Pular de uma pedra nem sempre é uma boa ideia. Mas dessa vez parecia! Pelo menos, estava sendo a vez mais cautelosa... Observei outros pulando, nadei, calculei... E, não, não simplesmente quebrei o pé - afinal, nada comigo pode ser comum: fraturei em diversos lugares o calcâneo, um osso bem complicadinho se você for pesquisar... Fiz cirurgia, coloquei placa e pinos. Comecei com o pé direito o ano! Novinho em folha... Quatro meses sem relar o pé no chão. E sem garantia do quanto vai dar pra recuperar.
Para quem estava sempre fazendo algo incrível, aventureiro, voando alto, indo daqui pra lá, viajando milhas por semana entre outras mil correrias, e, agora, em questão de dias, estar satisfeita se apenas voltar a colocar o pé no chão normalmente, dar um passo sem quaisquer ajudas - pessoas ou muletas - e andar bem alguns metros é uma grande parada. Digo mais, tem sido uma parada brusca... Um choque com muitas perdas de coisas que eu amo, talvez temporárias, mas talvez não. Isso acabou comigo...
Como eu parei aqui? Em choque. Choque brusco. Me desmontou. E você pode estar achando exagero. Realmente, não é uma história tão chocante à primeira vista - se você não sabe que o meu caso de fratura está entre os 20% mais graves que precisam de operação. Claro, não foi um caso como o da Laís Souza ou o do Michael Schumacher (e eu tive que pesquisar pra escrever esse nome direito). Mas por que cada vez mais as notícias precisam ser tão chocantes para valorizarmos as coisas importantes hoje?
Não estou sendo dramática. Sei que podia ser mil vezes mais grave, que fui sortuda... Agora, eu consigo enxergar assim. Mas quando fui parada, estava tremendamente cega. [Foi assim que eu parei aqui...]. Prepotente e independente, perder o controle foi dolorido. E estava assim pela tendência, que todos nós temos, de ser feliz pelo que conquistamos, e nessas conquistas nos firmarmos. Amigo... tenho uma má notícia pra você... Aí não é um solo muito firme... Vai por mim.
Foi bom não precisar ter sido pior para eu voltar a ver. Estou aprendendo. E sei que vai passar. Entretanto, para quem leva uma vida intensa, agitada e corriqueira, é difícil entender que algumas coisas a gente só enxerga parado. E, ao "diminuir o ritmo" que muitos tentam, do que eu mesma estava me dando conta ser necessário, não é suficiente. Eu diria até ser ilusão. Uma boa caminhada, em uma trilha, não é aquela em que você oscila o ritmo. Mas em que você faz boas paradas...
Não desejo o que estou passando para ninguém. Sei que nem todos precisam aprender por experiência. Basta ouvir e ser sábio. Ou em outras palavras, aprendam com o caminho trilhado por outros ao escolher a trilha que vai seguir... Se quiser aprender comigo, aqui vou deixando a minha história. E é meu convidado. Afinal, a parada foi brusca comigo, mas não precisa ser com você.
Pode descansar um pouco. Sinta, às vezes, sem medo, o alívio do peso que carrega. Faça um intervalo. Sacie sua sede. Aprecie as vistas distribuídas ao longo do caminho. Experimente momentos de eternidade. Não diminua o ritmo. Faça mais paradas. Foi o que eu aprendi.
É isso! Ou paramos ou somos obrigados a parar...
ResponderExcluirEstou contigo amiga!
Estamos juntas! ;) Valeu, Bi!
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