segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Momentos de eternidade



Meus olhos abriram. Sem alarme. Sem despertador. Sem barulhos na rua. Que horas seriam? "Devo ter dormido demais...", pensei. No celular, 9 da manhã. Sorri comigo mesma... Pela persiana, meus olhos acompanharam um pequeno feixe de luz que ousava entrar por um mal calculado espaço entre a cortina metálica e a janela no quarto aquecido. Para o meu espanto, sua natureza era artificial: lá fora, as luzes dos postes estavam acesas. E a rua, escura. Como se no mesmo descuido que eu, o Sol se esquecera de despertar... Estava de férias, a incontáveis kilômetros de casa, em estação oposta. E novamente retornava a me esparramar no luxo de uma cama macia assim como nas mais algumas horas de sono desprogramado... Lá, era assim. Em pleno fevereiro, ao ar livre até altas horas. Maior parte do tempo escuro. A neve mais limpa, brilhante e fofa reluzia sem ganhar atenção. Meus olhos ficavam em súplica atentos ao céu. O frio era vaidade... E foi assim, dias em que realizei um dos meus maiores sonhos, senão o maior. Ver as luzes dançantes: verdes, vermelhos... A cada dia mais vida, mais intensas... Sabiam que eu as esperava.

Naquele momento, ao deitar novamente minha cabeça no travesseiro e fechar meus olhos, um último pensamento ou sentimento tomava conta de mim: esse sonho parece não ter fim... E foi ali, sem sinal, sem satisfações a dar, a milhas de casa, completamente desconhecida, literalmente no Pólo Norte, eu provei da mais incrível e indescritível sensação de se sentir bem sendo uma completa estranha num lugar que não me pertencia. Paz atemporal...

Posso tentar narrar esses momentos que já experimentei. E será o que mais perto do que em palavras poderei expressar. Não ouso fazer poesia. Poesia é me encontrar lá. Nesse momento que não é tempo, é lugar... Às vezes me pergunto se alguém já se sentiu assim... Bem, eu estou talvez no oposto de qualquer liberdade de ser 'desconhecida' ou zanzar por lugares inéditos. Mas, aqui, no ponto de parada, quando menos esperava revivi algo assim.

Há alguns dias atrás, acordei, despertando de um sonho. Um sonho real, porque eu realizei. Revivendo um momento recente em que eu me encontrava a beira do mar, sentada na areia, de olhos fechados, sentindo a brisa da manhã ainda recente desenhar o formato do meu corpo no chão da areia. Ali mesmo me estendia, me rendia após alguns minutos de caminhada e corrida. Quase ninguém passava, apenas aqueles de passagem. E quem passava devia pensar que louca, apenas de bikini, sem lenço nem documento, em uma praia vazia e silenciosa se largava assim na areia... Mas eu pouco me importava. Sentia-me à areia camuflada. Havia tido minha conversa com o mar logo cedo. Agora era vez de ouvir o que as ondas iriam dialogar. O Sol me aquecia, como algo a me lembrar que cada pedaço do meu corpo estava onde devia estar. Assim como eu. Ali eu pertencia. Mais uma vez, aquele momento se fez lugar...

Eu chamo esses momentos-lugares de momentos de eternidade. Eles me parecem relapsos divinos de paz, gotas que escassamente se acomodam nas curvas do tempo corrido das nossas vidas... Não sei como fazê-los acontecer, nem mesmo, como recentemente, revivê-los. O que concluí é que não importa "onde" estou, nem "quando"..., mas que, em algum lugar da fórmula, talvez próximo ao "como", alguma incógnita constante que se refira ao movimento é estar em um ponto de parada.

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