domingo, 18 de janeiro de 2015

Segundas-feiras



Segundas-feiras... Sempre me rendem histórias pra contar...
"Fui surpreendido por uma onda na contramão, não tive como escapar e levei um banho gelado. O cabelo pingando, as roupas encharcadas e um fiozinho de água escorrendo pela nuca e descendo as costas, por dentro da blusa, coroavam uma típica segunda-feira. Como um gato molhado, me enxuguei chacoalhando a cabeça, para não tirar as mãos dos remos.

O trabalho começou cedo, ainda no escuro, após um sublime café da manhã, que levou quarenta minutos para ser consumido. O mar estava agitado novamente, e o barômetro, caindo aos poucos, anunciava uma nova depressão. Mas não me incomodava mais com isso.

Na verdade, o grande problema não era a força do mar, mas sua direção; enquanto as coisas continuassem como estavam, e eu pudesse remar na boa direção, não teria com que me preocupar."
(Cem dias entre céu e mar, Amyr Klink.) 

Segunda vez que uma segunda-feira marca minha história com um acidente. Ambas as vezes, fui parada para reaprender a ver a vida com novos olhos. Da primeira vez, com 18 anos, competitiva, tentando fazer meu dia melhor. Agora, com 25 anos, irrequieta, tentando ter 100% de aproveitamento do dia. Em ambas, prepotente. Hoje, me encontro em meu segundo grande ponto de parada. E sinto-me sortuda. Nem todo mundo tem essa chance... Momento de pôr no trilho o trem que descarrilhou.

Era segunda-feira, março de 2007: rompimento do meu LCP (Ligamento cruzado posterior) do joelho esquerdo em um jogo de handball nas Calouríadas da Universidade. Segunda-feira, dezembro de 2014: fraturas múltiplas do calcâneo ao pular de uma pedra em um rio. Mudei muito entre esses acidentes. Passei a ser apaixonada pela vida e a não ver mais as segundas-feiras como algo penoso. Cada dia é um novo começo, temperado por inéditas experiências e passível à escrita de histórias inigualáveis. Mas nem sempre enxerguei assim...

Entretanto, incrivelmente, sinto que lidei melhor com o acidente da primeira vez. Daquela vez, algo me parou, talvez para eu aprender a ver a beleza da vida todo dia. Foi como se eu não ligasse, como se o filme nem fosse mesmo tão interessante... Sabia que ia passar e eu ia superar. Desta vez, foi como se cortassem o filme antes de chegar o final, e eu não estava o assistindo, eu era parte dele! Talvez tenha sido a velocidade com que eu vinha, talvez foi a intensidade desregrada. Não sei. Sei que 'fui surpreendida por uma onda na contramão, não tive como escapar e levei um banho gelado. E pode ser que na verdade, o grande problema não seja a força do mar, mas sua direção'.

O problema nunca foi o acidente, mas a maneira como dali em diante lidei com ele. Quero que esse ponto de parada me relembre e aponte a boa direção para quando eu voltar a remar... Segundas-feiras, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos, que em quaisquer dias, com mar agitado ou não, que haja mais clareza...Em 2007, aprendi a valorizar cada dia. Em 2014/2015, quero aprender a lidar com as ondas que virão, mais uma vez amadurecendo com essa situação.




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